Boa parte das imagens utilizadas neste site pertencem a terceiros, que gentilmente permitiram sua utilização, assim sendo não posso autorizar a utilização das imagens deste site. © CIÊNCIA-CULTURA.COM - Responsável - Ricardo Pante
Como não há nenhuma fotografia conhecida de Foote, contamos com ilustrações de artistas, como esta foto de ação de uma cientista por Carlyn Iverson.
Bem-vindo ao primeiro episódio do programa Condições iniciais: Um podcast sobre história da física! Esta apresentação foi preparada durante alguns meses e estou muito animada em compartilhá-la! Estou ainda mais empolgada com o fato de nosso primeiro episódio ser tão importante para mim: a história de Eunice Foote (1819-1888), a outrora esquecida pioneira da ciência do clima. Nessas postagens em blog, Justin e eu compartilharemos como foram criados cada episódio e os detalhes que não foram incluídos no programa (a parte mais difícil de cada episódio é decidir o que cortar). Essas publicações em episódios destinam-se em tornar o processo de pesquisa acessível, compartilhar nossos recursos que consideramos importantes, incentivando a investigação e o aprendizado. Se você quer conhecer a história dos humanos que estudaram as mudanças climáticas, é importante conhecer a história de Eunice Foote. Em 1856, Eunice Foote, uma cientista amadora americana, conduziu um experimento sobre o efeito do calor do Sol em diferentes condições atmosféricas. Ela concluiu que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera aumentaria o aquecimento do planeta. Para chegar a essa conclusão, Foote isolou diferentes gases em frascos de vidro, criando assim diferentes condições atmosféricas. Ela então os expôs à luz do sol, medindo a temperatura a cada intervalo de tempo. Ela descobriu que o vapor d’água era absorvido e retinha bem o calor, mas o gás mais eficaz era o dióxido de carbono. Ela escreveu no American Journal of Science and Art, “o maior efeito dos raios solares . . . é causado pelo gás ácido carbônico”, (NDT - termo arcaico para dióxido de carbono) e declarou mais tarde, “uma atmosfera desse gás [dióxido de carbono] provocaria ao nosso planeta uma elevação da temperatura”. Apesar de ter sido a primeira a chegar a essa conclusão, e considerando que o artigo foi publicado em uma revista, ela acabou sendo esquecida pela história. Isto é, até 2011, quando Raymond Sorenson, um geólogo aposentado, redescobriu seu trabalho em um antigo almanaque e reconheceu sua importância. Desde então, historiadores, cientistas e o público fizeram um trabalho incrível trazendo sua história à tona. Tenho a sorte de ser um deles. Eu aprendi sobre Eunice Foote pela primeira vez a partir de uma lista de físicos de Grupos sub-representados, compilada por Joanna Behrman da AIP. Na época, eu era estagiário do Center for History of Physics e Niels Bohr Library & Archives trabalhando para fazer guias de ensino K-12. Pensei: “uma mulher na ciência do clima cujas contribuições foram ignoradas por 150 anos?” Eu estava ansiosa para aprender mais. No entanto, não havia muitos recursos disponíveis. Nem mesmo uma fotografia conhecida de Eunice Foote, o que é estranho, considerando que ela fazia parte de uma família bem relacionada e outros membros da família tinham retratos. Curiosamente, ela mesma era uma artista, conhecida por suas paisagens. Ela não era apenas uma cientista e artista, mas também uma ativista pelo sufrágio feminino. Ela e o marido compareceram à convenção de Seneca Falls em 1848, que muitos atribuem ao início do movimento pelo direito das mulheres ao voto. Ela não apenas compareceu a esse importante evento, mas também atuou no comitê encarregado de registrar e publicar as atas da reunião, indicando que ela estava entre os líderes desse movimento.
Eunice Foote está listada como participante ao lado de Cady Stanton. Crédito: Biblioteca do Congresso, Divisão de Livros Raros e Coleções Especiais, Coleção da National American Woman Suffrage Association.
Para adicionar a esta impressionante lista de ocupações, ela também foi uma inventora com algumas patentes em seu nome. Suspeita-se também que ela ajudou seu marido, Elisha Foote, um juiz de patentes, com algumas de suas invenções. Depois de pesquisar o suficiente para fazer roteiros de estudo para professores, decidi que estava pronta para compartilhar sua história, então apresentei-a a revista Physics Today. A jornada para escrever aquele artigo foi diferente de tudo que eu havia experimentado. Com a confiança de uma equipe editorial tão impressionante me apoiando, procurei especialistas - e eles se prontificaram a ajudar! Fiquei nervosa com a perspectiva de impressionar as mesmas pessoas que me ensinaram tudo o que eu sabia sobre Eunice Foote. Acontece que os especialistas estavam tão ansiosos para compartilhar seus conhecimentos comigo quanto eu para absorvê-los. Nunca havia mergulhado tão profundamente em um assunto. Aprendi tudo o que pude sobre aquele período da história americana. Por exemplo, conversei com um especialista em puritanismo para entender por que a Nova Inglaterra era um lugar tão propício ao aprendizado em meados do século XIX. Uma das trocas mais gratificantes que tive foi com uma parente distante de Elisha Foote (marido de Eunice Foote), Liz Foote. Ela é uma cientista ambiental e soube da existência de Eunice Foote, durante uma palestra da ativista ambiental Katharine Hayhoe. Os especialistas que estão próximos, que são os bibliotecários da NBLA, também foram fundamentais na descoberta de patentes que Eunice Foote possuía. Enriquecido com todas estas informações, muito além daquelas que eu sabia, completei o artigo (que foi editado e verificado pelos incríveis editores da revista Physics Today). Ainda assim, três roteiros de estudo para professores e um artigo muito longo não foram suficientes para mim. Eu soube quando Justin e eu começamos a trabalhar no podcast que eu queria continuar a compartilhar a história de Eunice Foote. A Coleção Wenner inclui um volume do American Journal of Science and Arts com seu breve artigo de uma página e meia, publicado em 1856. Seu artigo é impressionante, mas acho que a verdadeira joia da coleção NBLA é o artigo de 1857 da Scientific American, “Scientific Ladies experiments with condensed gases”, que comenta a qualidade do trabalho de Foote. Este artigo serviu a dois importantes propósitos para a redescoberta de Eunice Foote. Ele contextualizou sua pesquisa como uma resposta à discussão anterior sobre porque os topos das montanhas são mais frios do que os vales (como confirmou Foote, o ar menos denso, encontrado em grandes altitudes, não absorve ou retém o calor tão prontamente quanto o ar mais denso). Esta discussão foi parte de uma conversa mais ampla sobre como o clima da Terra mudou ao longo do tempo. Em parte, devido à busca de carvão, os cientistas encontraram evidências de vida vegetal tropical em montanhas que hoje não são mais adequadas a estas plantas. Ao investigar quais condições poderiam ter possibilitado essa vida no passado, como por exemplo ar com maior teor de dióxido de carbono e vapor de água, que era a hipótese levantada por Foote, poderia explicar os fósseis de florestas tropicais. Este artigo relata que a pesquisa de Foote foi uma resposta a tais discussões. Talvez tão importante quanto, este artigo fala que, ao conduzir esse experimento maravilhoso e importante, Eunice Foote provou que as mulheres são cientistas talentosas e que a Scientific American se beneficiou de suas contribuições. Ao lamentar como as conquistas científicas das mulheres foram historicamente negligenciadas, não é dificil dizer: “bem, isso aconteceu no passado, onde as pessoas simplesmente não ouviam o que as mulheres cientistas tinham a dizer”. Este artigo da Scientific American demonstra que as pessoas podem ouvir. O artigo concluía: “As páginas da revista Scientific American foram muitas vezes agraciadas com artigos sobre assuntos científicos, escritos por senhoras, que não deviam em nada para os artigos escritos por homens de alta reputação científica; e os experimentos da Sra. Foote fornecem
Embora Eunice Foote fosse uma mulher altamente educada para os Estados Unidos do século 19, sua formação não era páreo para a de Tyndall. Sendo um homem europeu, o estabelecimento científico era mais acessível para ele. Ele frequentou a Universidade de Marburg e estudou com e ao lado de alguns dos cientistas mais proeminentes de seu tempo. Quando decidiu estudar como o calor é absorvido pelos gases, ele fez com que uma equipe construísse um dispositivo de alta precisão feito de acordo com suas especificações. também a dúvida em saber se ele tinha conhecimento ou não, da publicação de Foote, que precedeu a publicação de sua autoria em três anos. Neste episódio de podcast, mergulhamos no drama em torno dessa questão. No final do episódio (acho que isso não estraga muito), Justin me pergunta por que a história de Eunice Foote é tão importante para mim. Eunice Foote foi uma mulher que acabou sendo subestimada, apesar de todo o seu trabalho, talento e privilégio. Acho que muitas mulheres na física às vezes sentem que temos que fazer mais do que nossos colegas homens para obter reconhecimento equivalente, e a história de Foote é um exemplo óbvio disso. Embora ela tenha sido publicada em uma revista científica e seu trabalho tenha sido apresentado na reunião da AAAS, sua contribuição para a ciência atmosférica foi ignorada. Mas, sua história também é uma inspiração. Hoje, o nome e a obra de Eunice Foote recebem a atenção que merecem devido ao trabalho de cientistas, historiadores e todos que compartilham sua história. É graças a você, nosso público, que desejam aprender sobre as histórias não contadas da física e entender por que elas não foram contadas. É disso que trataremos nas publicações “Initial Conditions - A Physics History Podcast”, compartilhando as histórias não convencionais de descobertas físicas e seu contexto. Sugestão: Após a leitura do texto acima, vá a página do podcast, com áudio em inglês e a transcrição em português. Podcast do Episódio 1: Eunice Foote: Uma Pioneira da Ciência do Clima que foi esquecida.
One of Foote’s inventions was this shoe sole filler which minimizes squeaking. There is absolutely a pun about Foote and shoes waiting to be made. https://patents.google.com/patent/US28265A/en
Esta edição da Scientific American demonstrou que o nome de Foote não tinha deveria ter caído no esquecimento. Nesta edição de 1857, a revista elogiam o trabalho de Foote e o trabalho das mulheres cientistas. Crédito: AIP
Nesta foto vemos John Tyndall ao lado de alguns de seus amigos cientistas, com seus impressionantes instrumentos de alta tecnologia para aquela época. Esta foto foi apresentada na publicação de Fotos do Mês de maio da AIP. Este retrato deve ser de 1865, Os cientistas são (a partir da esquerda) Michael Faraday, Thomas Huxley, Charles Wheatstone e David Brewster. Crédito: Arquivo Visual AIP Emilio Segrè, Coleção Zeleny. ID do catálogo Faraday Michael D2
evidências abundantes da capacidade da mulher de investigar qualquer assunto com originalidade e pecisão”. Conclusão de " Scientific Ladies O parágrafo final é revelador deixa evidente o que algumas instituições tinham em relação às mulheres cientistas: que as mulheres são tão talentosas e valiosas quanto os homens. Em vez de Eunice Foote receber o crédito por esta conclusão sobre o efeito do dióxido de carbono, um físico irlandês, John Tyndall (aproximadamente 1820-1883) foi lembrado para sempre como o descobridor do efeito estufa. É aqui que as coisas ficam um pouco complicadas. John Tyndall foi a primeira pessoa a descobrir o efeito estufa. Isso ocorre porque o mecanismo de aquecimento dos gases no experimento de Foote é um pouco confuso e desconhecido. O efeito estufa é causado por gases que absorvem a radiação infravermelha (que conhecemos como calor) que irradia da superfície da Terra. Eunice Foote provavelmente mediu uma combinação de luz solar direta e calor irradiando de seus potes de vidro para aquecer os gases, portanto não exatamente o efeito estufa. John Tyndall mediu propositalmente o impacto da radiação infravermelha nos gases e, portanto, descobriu o efeito estufa. Ainda, John Tyndall e Eunice Foote não começaram exatamente em de igualdade. (Isso foi um trocadilho barato, eu sei).
Sugestões de leitura sobre o tema Huddleston, Amara. “Happy 200th Birthday to Eunice Foote, Hidden Climate Science Pioneer.” Happy 200th birthday to Eunice Foote, hidden climate science pioneer | NOAA Climate.gov, July 17, 2019. Jackson, Roland. “Eunice Foote, John Tyndall and a Question of Priority.” Notes and Records: the Royal Society Journal of the History of Science 74, no. 1 (2019): 105–18. Ortiz, Joseph D., and Roland Jackson. “Understanding Eunice Foote's 1856 Experiments: Heat Absorption by Atmospheric Gases.” Notes and Records: the Royal Society Journal of the History of Science 76, no. 1 (2020): 67–84. Shapiro, Maura. “Eunice Newton Foote's Nearly Forgotten Discovery.” Physics Today, August 23, 2021. Sorenson, Raymond. “Eunice Foote's Pioneering Research On CO2 And Climate Warming.” Search and Discovery, January 31, 2011. Waxman, Olivia B., and Arpita Aneja. “The History of Seneca Falls You Didn't Learn in School.” Time. Time, December 8, 2020.
Maura Shapiro, Coordenadora de Podcast e Divulgação Veja todos os artigos de Maura Shapiro
Artigo gentilmente cedido pela American Institute of Physics. Sugestão: Após a leitura do texto abaixo, vá a página do podcast, com áudio em inglês e a transcrição em português. Podcast do Episódio 1: Eunice Foote: Uma Pioneira da Cincia do Clima que foi esquecida.
Ciência e Cultura na escola
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O parágrafo final revela a clareza que algumas instituições tinham em relação às mulheres cientistas: que as mulheres são tão talentosas e valiosas quanto os homens. Crédito: AIP
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Artigo gentilmente cedido pela American Institute of Physics. Sugestão: Após a leitura do texto abaixo, vá a página do podcast, com áudio em ingls e a transcrição em português. Podcast do Episódio 1: Eunice Foote: Uma Pioneira da Cincia do Clima que foi esquecida.
Como não há nenhuma fotografia conhecida de Foote, contamos com ilustrações de artistas, como esta foto de ação de uma cientista por Carlyn Iverson.
Bem-vindo ao primeiro episódio do programa Condições iniciais: Um podcast sobre história da física! Esta apresentação foi preparada durante alguns meses e estou muito animada em compartilhá-la! Estou ainda mais empolgada com o fato de nosso primeiro episódio ser tão importante para mim: a história de Eunice Foote (1819-1888), a outrora esquecida pioneira da ciência do clima. Nessas postagens em blog, Justin e eu compartilharemos como foram criados cada episódio e os detalhes que não foram incluídos no programa (a parte mais difícil de cada episódio é decidir o que cortar). Essas publicações em episódios destinam-se em tornar o processo de pesquisa acessível, compartilhar nossos recursos que consideramos importantes, incentivando a investigação e o aprendizado. Se você quer conhecer a história dos humanos que estudaram as mudanças climáticas, é importante conhecer a história de Eunice Foote. Em 1856, Eunice Foote, uma cientista amadora americana, conduziu um experimento sobre o efeito do calor do Sol em diferentes condições atmosféricas. Ela concluiu que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera aumentaria o aquecimento do planeta. Para chegar a essa conclusão, Foote isolou diferentes gases em frascos de vidro, criando assim diferentes condições atmosféricas. Ela então os expôs à luz do sol, medindo a temperatura a cada intervalo de tempo. Ela descobriu que o vapor d’água era absorvido e retinha bem o calor, mas o gás mais eficaz era o dióxido de carbono. Ela escreveu no American Journal of Science and Art, “o maior efeito dos raios solares . . . é causado pelo gás ácido carbônico”, (NDT - termo arcaico para dióxido de carbono) e declarou mais tarde, “uma atmosfera desse gás [dióxido de carbono] provocaria ao nosso planeta uma elevação da temperatura”. Apesar de ter sido a primeira a chegar a essa conclusão, e considerando que o artigo foi publicado em uma revista, ela acabou sendo esquecida pela história. Isto é, até 2011, quando Raymond Sorenson, um geólogo aposentado, redescobriu seu trabalho em um antigo almanaque e reconheceu sua importância. Desde então, historiadores, cientistas e o público fizeram um trabalho incrível trazendo sua história à tona. Tenho a sorte de ser um deles. Eu aprendi sobre Eunice Foote pela primeira vez a partir de uma lista de físicos de Grupos sub- representados, compilada por Joanna Behrman da AIP. Na época, eu era estagiário do Center for History of Physics e Niels Bohr Library & Archives trabalhando para fazer guias de ensino K-12. Pensei: “uma mulher na ciência do clima cujas contribuições foram ignoradas por 150 anos?” Eu estava ansiosa para aprender mais. No entanto, não havia muitos recursos disponíveis. Nem mesmo uma fotografia conhecida de Eunice Foote, o que é estranho, considerando que ela fazia parte de uma família bem relacionada e outros membros da família tinham retratos. Curiosamente, ela mesma era uma artista, conhecida por suas paisagens. Ela não era apenas uma cientista e artista, mas também uma ativista pelo sufrágio feminino. Ela e o marido compareceram à convenção de Seneca Falls em 1848, que muitos atribuem ao início do movimento pelo direito das mulheres ao voto. Ela não apenas compareceu a esse importante evento, mas também atuou no comitê encarregado de registrar e publicar as atas da reunião, indicando que ela estava entre os líderes desse movimento.
Eunice Foote está listada como participante ao lado de Cady Stanton. Crédito: Biblioteca do Congresso, Divisão de Livros Raros e Coleções Especiais, Coleção da National American Woman Suffrage Association.
Para adicionar a esta impressionante lista de ocupações, ela também foi uma inventora com algumas patentes em seu nome. Suspeita-se também que ela ajudou seu marido, Elisha Foote, um juiz de patentes, com algumas de suas invenções. Depois de pesquisar o suficiente para fazer roteiros de estudo para professores, decidi que estava pronta para compartilhar sua história, então apresentei-a a revista Physics Today. A jornada para escrever aquele artigo foi diferente de tudo que eu havia experimentado. Com a confiança de uma equipe editorial tão impressionante me apoiando, procurei especialistas - e eles se prontificaram a ajudar! Fiquei nervosa com a perspectiva de impressionar as mesmas pessoas que me ensinaram tudo o que eu sabia sobre Eunice Foote. Acontece que os especialistas estavam tão ansiosos para compartilhar seus conhecimentos comigo quanto eu para absorvê-los. Nunca havia mergulhado tão profundamente em um assunto. Aprendi tudo o que pude sobre aquele período da história americana. Por exemplo, conversei com um especialista em puritanismo para entender por que a Nova Inglaterra era um lugar tão propício ao aprendizado em meados do século XIX. Uma das trocas mais gratificantes que tive foi com uma parente distante de Elisha Foote (marido de Eunice Foote), Liz Foote. Ela é uma cientista ambiental e soube da existência de Eunice Foote, durante uma palestra da ativista ambiental Katharine Hayhoe. Os especialistas que estão próximos, que são os bibliotecários da NBLA, também foram fundamentais na descoberta de patentes que Eunice Foote possuía. Enriquecido com todas estas informações, muito além daquelas que eu sabia, completei o artigo (que foi editado e verificado pelos incríveis editores da revista Physics Today). Ainda assim, três roteiros de estudo para professores e um artigo muito longo não foram suficientes para mim. Eu soube quando Justin e eu começamos a trabalhar no podcast que eu queria continuar a compartilhar a história de Eunice Foote. A Coleção Wenner inclui um volume do American Journal of Science and Arts com seu breve artigo de uma página e meia, publicado em 1856. Seu artigo é impressionante, mas acho que a verdadeira joia da coleção NBLA é o artigo de 1857 da Scientific American, “Scientific Ladies experiments with condensed gases”, que comenta a qualidade do trabalho de Foote. Este artigo serviu a dois importantes propósitos para a redescoberta de Eunice Foote. Ele contextualizou sua pesquisa como uma resposta à discussão anterior sobre porque os topos das montanhas são mais frios do que os vales (como confirmou Foote, o ar menos denso, encontrado em grandes altitudes, não absorve ou retém o calor tão prontamente quanto o ar mais denso). Esta discussão foi parte de uma conversa mais ampla sobre como o clima da Terra mudou ao longo do tempo. Em parte, devido à busca de carvão, os cientistas encontraram evidências de vida vegetal tropical em montanhas que hoje não são mais adequadas a estas plantas. Ao investigar quais condições poderiam ter possibilitado essa vida no passado, como por exemplo ar com maior teor de dióxido de carbono e vapor de água, que era a hipótese levantada por Foote, poderia explicar os fósseis de florestas tropicais. Este artigo relata que a pesquisa de Foote foi uma resposta a tais discussões. Talvez tão importante quanto, este artigo fala que, ao conduzir esse experimento maravilhoso e importante, Eunice Foote provou que as mulheres são cientistas talentosas e que a Scientific American se beneficiou de suas contribuições. Ao lamentar como as conquistas científicas das mulheres foram historicamente negligenciadas, não é dificil dizer: “bem, isso aconteceu no passado, onde as pessoas simplesmente não ouviam o que as mulheres cientistas tinham a dizer”. Este artigo da Scientific American demonstra que as pessoas podem ouvir. O artigo concluía: “As páginas da revista Scientific American foram muitas vezes agraciadas com artigos sobre assuntos científicos, escritos por senhoras, que não deviam em nada para os artigos escritos por homens de alta reputação científica; e os experimentos da Sra. Foote fornecem
Embora Eunice Foote fosse uma mulher altamente educada para os Estados Unidos do século 19, sua formação não era páreo para a de Tyndall. Sendo um homem europeu, o estabelecimento científico era mais acessível para ele. Ele frequentou a Universidade de Marburg e estudou com e ao lado de alguns dos cientistas mais proeminentes de seu tempo. Quando decidiu estudar como o calor é absorvido pelos gases, ele fez com que uma equipe construísse um dispositivo de alta precisão feito de acordo com suas especificações. também a dúvida em saber se ele tinha conhecimento ou não, da publicação de Foote, que precedeu a publicação de sua autoria em três anos. Neste episódio de podcast, mergulhamos no drama em torno dessa questão. No final do episódio (acho que isso não estraga muito), Justin me pergunta por que a história de Eunice Foote é tão importante para mim. Eunice Foote foi uma mulher que acabou sendo subestimada, apesar de todo o seu trabalho, talento e privilégio. Acho que muitas mulheres na física às vezes sentem que temos que fazer mais do que nossos colegas homens para obter reconhecimento equivalente, e a história de Foote é um exemplo óbvio disso. Embora ela tenha sido publicada em uma revista científica e seu trabalho tenha sido apresentado na reunião da AAAS, sua contribuição para a ciência atmosférica foi ignorada. Mas, sua história também é uma inspiração. Hoje, o nome e a obra de Eunice Foote recebem a atenção que merecem devido ao trabalho de cientistas, historiadores e todos que compartilham sua história. É graças a você, nosso público, que desejam aprender sobre as histórias não contadas da física e entender por que elas não foram contadas. É disso que trataremos nas publicações “Initial Conditions - A Physics History Podcast”, compartilhando as histórias não convencionais de descobertas físicas e seu contexto. Sugestão: Após a leitura do texto acima, a página do podcast, com áudio em inglês e a transcrição em português. Podcast do Episódio 1: Eunice Foote: Uma Pioneira da Ciência do Clima que foi esquecida.
One of Foote’s inventions was this shoe sole filler which minimizes squeaking. There is absolutely a pun about Foote and shoes waiting to be made. https://patents.google.com/patent/US28265A/en
Esta edição da Scientific American demonstrou que o nome de Foote não tinha deveria ter caído no esquecimento. Nesta edição de 1857, a revista elogiam o trabalho de Foote e o trabalho das mulheres cientistas. Crédito: AIP
O parágrafo final revela a clareza que algumas instituições tinham em relação às mulheres cientistas: que as mulheres são tão talentosas e valiosas quanto os homens. Crédito: AIP
Nesta foto vemos John Tyndall ao lado de alguns de seus amigos cientistas, com seus impressionantes instrumentos de alta tecnologia para aquela época. Esta foto foi apresentada na publicação de Fotos do Mês de maio da AIP. Este retrato deve ser de 1865, Os cientistas são (a partir da esquerda) Michael Faraday, Thomas Huxley, Charles Wheatstone e David Brewster. Crédito: Arquivo Visual AIP Emilio Segrè, Coleção Zeleny. ID do catálogo Faraday Michael D2
Sugestões de leitura sobre o tema Huddleston, Amara. “Happy 200th Birthday to Eunice Foote, Hidden Climate Science Pioneer.” Happy 200th birthday to Eunice Foote, hidden climate science pioneer | NOAA Climate.gov, July 17, 2019. Jackson, Roland. “Eunice Foote, John Tyndall and a Question of Priority.” Notes and Records: the Royal Society Journal of the History of Science 74, no. 1 (2019): 105–18. Ortiz, Joseph D., and Roland Jackson. “Understanding Eunice Foote's 1856 Experiments: Heat Absorption by Atmospheric Gases.” Notes and Records: the Royal Society Journal of the History of Science 76, no. 1 (2020): 67–84. Shapiro, Maura. “Eunice Newton Foote's Nearly Forgotten Discovery.” Physics Today, August 23, 2021. Sorenson, Raymond. “Eunice Foote's Pioneering Research On CO2 And Climate Warming.” Search and Discovery, January 31, 2011. Waxman, Olivia B., and Arpita Aneja. “The History of Seneca Falls You Didn't Learn in School.” Time. Time, December 8, 2020.
Conclusão de " Scientific Ladies “ O parágrafo final é revelador deixa evidente o que algumas instituições tinham em relação às mulheres cientistas: que as mulheres são tão talentosas e valiosas quanto os homens.
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Maura Shapiro, Coordenadora de Podcast e Divulgação Veja todos os artigos de Maura Shapiro
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